IBAMA aprova projeto de Tijuco Alto

30/11/2012 15:39

Votorantim planeja tirar três novas hidrelétricas do papel

Executivo de energia dos Ermírio de Morares, Otávio Carneiro de Rezende, sinaliza disposição de investir em projetos que somam 1,5 mil megawatts.

por Nivaldo Souza - iG Brasília 

26/11/2012

Gerador de uma receita líquida de R$ 23,7 bilhões em 2011 e um dos principais consumidores de energia no País, com 8,6% da demanda energética da indústria brasileira, o Grupo Votorantim estuda tirar pelo menos três novas usinas hidrelétricas do papel. “Temos concessões em carteira de outorga, estamos em fase de licenciamento ambiental e havendo interesse podemos desenvolver (os projetos)”, diz o presidente da Votorantim Energia, Otávio Carneiro de Rezende.

LEIA TAMBÉM: 
Dívida alta agrava crise nas empresas de energia elétrica

Reprodução
Hidrelétrica Serraria, em São Paulo: além desta unidade, Votorantim Energia tem participação ou controle em 32 hidrelétricas

O “interesse” indicado por ele é a disposição do governo federal em liberar as áreas necessárias para implantar as usinas de Pai-Querê, Santa Isabel e Tijuco Alto. Os projetos devem injetar 1.442 megawatts (MW) ao modelo de autogeração da indústria eletrointensiva.

A Votorantim produz hoje 65% da energia que utiliza, sendo 80% de autossuficiência na área de metais, a que mais consome e responsável por 35% da receita do grupo. O conglomerado da família Ermírio de Morares detém participação ou controle em 33 hidrelétricas.

Rezende não trabalha com uma meta percentual de geração própria que a Votorantim almeja, mas indica vontade de elevar investimentos com a manutenção da segurança jurídica no segmento autoprodutor pelo governo. “Houve sensibilidade do governo (em preservar ativos industriais), que sabe que o empresário investiu para proteger seu negócio industrial”, diz.

O mercado de energia avalia que essa segurança não foi estendida às geradoras e transmissoras com a Medida Provisória 579, que para reduzir para conta de luz no mercado cativo (consumidores domésticos e empresaras que não compram lotes de energia diretamente no mercado) propôs uma renovação antecipada das concessões que vencem em 2015 e 2017.

Para o presidente da Votorantim Energia, a MP 579 não tira o apetite energético do grupo presente em áreas como cimentos, agronegócio, siderurgia e mineração. “A medida provisória deu um sinal positivo aos autoprodutores para que continuem investindo em energia”, sinaliza.

Entre as hidrelétricas em estudo pela Votorantim está o projeto Pai-Querê, no Rio Pelotas, no Rio Grande do Sul. A concessão foi liberada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2001, para a Votorantim e as sócias Alcoa e DME Energética.

A unidade deve ter capacidade para gerar 290 megawatts (MW). As audiências públicas do processo de licenciamento já foram realizadas e as empresas aguardam autorização para iniciar a implantação da usina, ainda sem orçamento definido.

Pressão de Dilma

A Santa Isabel poderia receber até R$ 2,1 bilhões, segundo informações de mercado. O aporte será dividido entre Alcoa, BHP Billiton, Camargo Corrêa, Vale e Votorantim para produzir 1,08 mil MW com as águas do Rio Araguaia, divida do Tocantins com o Pará. A concessão foi referenda pela Aneel há uma década e, em abril deste ano, prorrogada por mais 34 anos.

O consórcio das cinco gigantes eletrointensivas espera a aprovação Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O projeto foi rejeitado diversas vezes ao longo da última década pelo Ibama. O órgão federal, contudo, teria flexibilizado agora após pressão da presidenta Dilma Rousseff, responsável por autorizar Santa Isabel quando ministra de Minas e Energia do governo Lula.

Espera de 20 anos

Outro projeto que deve sair papel é hidrelétrica de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape, entre São Paulo e o Paraná. O projeto esperou aprovação de EIA-Rima pelo Ibama por quase 20 anos para construir uma barragem com 153 metros de altura capaz de formar um reservatório com 56,5 quilômetros quadrados, sendo 51,7 KM de área alagada.

O projeto já passou pelo Ibama e a Votorantim define quanto será necessário para tirá-lo da prancheta de projeto com capacidade para gerar 144 MW. A energia será usada pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), a menina dos olhos de Antônio Ermírio de Morares. Estima-se aporte de US$ 100 milhões.

Fonte: IG.COM.BR