MOAB e os Quilombos do Vale do Ribeira - Paraná

16/12/2014 12:09

Dia 13/12 aconteceu no Quilombo de João Surá, Município de Adrianópolis/PR, o Seminário sobre MINERAÇÃO.Apesar da chuva e da péssima situação das estradas compareceram lideranças de 06 Comunidades Quilombolas. Foi um dia de estudo, de reflexão, de fazer novos encaminhamentos, mas também um dia de convivência, partilha, muita música e alegria.

Lideranças Quilombolas presentes:

 

Quilombolas de Córrego das Moças

 

 Quilombolas do Bairro dos Roque

 

 Quilombolas de Porto Velho

 

 Quilombolas de Mamonas

 

 Quilombolas de Sete Barras

 

 Quilombolas de João Surá

A região do Vale do Ribeira além da ameaça das barragens sofre também com mais de 90 pedidos de mineração em terras quilombolas. No Brasil há mais de 9 mil empresas de mineração, sem contar os garimpos ilegais e clandestinos.

Na região do Paraná além dessas ameaças há também uma incontrolável plantação de pinus que está acabando com a água e a terra.Depoimento de Dona Maria Aparecida S. de Pontes; “Aqui as jabuticabeiras nativas davam fruto várias vezes durante o ano. Depois que começou a plantação de pinus na região temos jabuticada somente uma vez no ano e com pouco fruto.”

A ocupação do Vale do Ribeira teve início com a mineração de ouro. Data de 1675 a descoberta de ouro na região dos atuais municípios de Iporanga e Apiaí.

Relatório da Comissão Geológica e Geográfica do Estado de São Paulo do início do século XX apontava: Este trecho do Vale do Ribeira é de muito interesse para a mineração; assim é que no Itapirapuã é notável o afloramento de galena, no ribeirão do Rocha os indícios de antimônio, no Apiai e seus arredores o ouro, na Capela da Ribeira o cal, em Iporanga o chumbo e a prata e em muitos lugares o ferro e em todos os ribeirões e córregos o ouro de aluvião que constituiu em outras eras e nesta mesma região a fortuna e o desastre de muitos aventureiros.” (Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, 1914, pg 7)

Alguns elementos significativos desse patrimônio:

►mina de Furnas, em Iporanga/SP e sua vila residencial, remanescentes de mineração e beneficiamento de minério de chumbo e prata;

►galerias subterrâneas do Lageado, integrantes do complexo da mina de Furnas;

►região do Morro do Chumbo, também em Iporanga/SP, bairro do Espírito Santo;

►sítio da antiga usina de chumbo do IPT, situada em Apiaí;

►sítio Morro do Ouro, situado na zona urbana do município de Apiaí/SP, contendo galerias abandonadas e remanescentes de usina de beneficiamento;

►mina do Rocha e usina de beneficiamento de minério de chumbo, no município de Adrianópolis/PR;

►usina metalúrgica da Plumbum, situada em Adrianópolis/PR.

A planta metalúrgica de Adrianópolis/PR era a única a refinar o concentrado produzido pelas minas, fabricando chumbo metálico, prata e ouro. Como todas as usinas de chumbo, trata-se de uma área contaminada que deve ser detalhadamente caracterizada. Hoje o local representa um enorme passivo ambiental e social.

O Vale do Ribeira detém algumas das maiores jazidas de minérios ainda inexploradas do Estado, ao lado das principais áreas protegidas de Mata Atlântica e da maior concentração de territórios quilombolas.

Diante deste contexto as lideranças Quilombolas tomaram a decisão de continuar estudando, refletindo e fortalecendo a organização para enfrentar com garra e coragem os sérios problemas que afetam a região.

COORDENAÇÃO EAACONE