O planeta está à beira do abismo térmico irreversível

14/01/2013 08:57

 

Quanto mais cedo, melhor

 

 

 

 

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Estudo publicado na revista Nature conclui que retardar o controle das emissões aumenta custos e reduz as chances de limitar o aquecimento global

O que é mais importante para conseguirmos evitar que a temperatura media da Terra eleve-se acima de uma media de dois graus centígrados referente ao início da era industrial? Estudo publicado em janeiro pela revista Nature concluiu que é nada menos que nossa capacidade de darmos uma resposta rápida ao problema. E para os pragmáticos de plantão, a boa notícia é que quanto mais cedo começarmos a fazer algo, mais barato fica o custo total.

Conduzido por Joeri Rogelj, David L. McCollum, Andy Reisinger, Malte Meinshausen e Keywan Riahi, o estudo avaliou a importância relativa de quatro principais fontes de incerteza em limitar o aumento das temperaturas médias globais: a incerteza política a respeito de quando uma política climática global coordenada pode ser alcançada; a incerteza científica sobre o quanto a Terra vai aquecer; a incerteza social sobre a demanda futura de energia; e a incerteza tecnológica sobre a disponibilidade de tecnologias de redução das emissões. É importante lembrar que no meio científico, a expressão “incerteza” tem conotação distinta do seu sentido leigo: pois significa apenas que não se pode determinar quando ou de quanto algo vai acontecer, sem que isso implique em afirmar que não irá acontecer. Levando-se em conta tais variáveis, foram comparadas emissões e custos em mais de 500 cenários e a conclusão é que o momento (timing) da ação global é o fator mais importante para que qualquer meta seja atingida. O segundo fator mais importante são as incertezas científicas, seguidas das sociais e tecnológicas.

O estudo indicou que se o preço, hoje, de uma tonelada de carbono no mercado fosse $20, a probabilidade de conseguirmos manter o aquecimento global abaixo dos 2°C seria de 60%. Esperar até 2020 significaria que o preço de carbono teria que ser cerca de $100 para obter o mesmo resultado.

Um de seus autores - Joeri Rogelj – explicou em entrevista à Nature que “a grande descoberta deste estudo é que a escolha de quando fazer algo influencia o resultado da ação mais que os outros fatores envolvidos”. Ou seja: a partir de agora, a resistência dos governos em criar as condições necessárias para a migração para um modelo econômico sustentável pode ser considerada fator de risco. Assim como a lentidão das negociações climáticas.

Clique aqui e confira o estudo

Fonte: Vitae Civilis