RETROSPETIVA 2014 - Observatório dos Conflitos Rurais em SP

20/01/2015 15:41

Em 2014, aproximadamente 8000 camponeses (entre quilombolas, caiçaras, assentados, pequenos produtores, indígenas e assalariados rurais) sofreram algum tipo de violência no interior paulista, conforme levantamento feito pelObservatório dos Conflitos Rurais em São Paulo.

 
Como forma de dar visibilidade para tais problemáticas, a equipe do Observatório disponibilizará, a cada dia, notícias e informações sobre os principais conflitos sociais ocorridos no campo paulista em 2014. A funpage do Observatório no facebook será alimentada diariamente com os casos sistematizados.
 
Confiram a página do Observatório no Facebook: 
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QUILOMBO DO JAÓ SOFRE TENTATIVA DE ENVENENAMENTO DA CAIXA D'ÁGUA.
 
 
Em abril, o Quilombo do Jaó, em Itapeva, teve a caixa d'água coletiva envenenada. Um inquérito policial foi aberto, mas a culpe não foi atribuída à ninguém. Uma análise pericial chegou a afirmar que não se tratava de envenenamento, mas de "contaminação bacteriana". Moradores sentiram cheiro de pesticida na água.
 
 
Moradores de uma comunidade quilombola em Itapeva (SP), estão assustados depois de um caso de tentativa envenenamento ao reservatório de água do local nesta sexta-feira (25). De acordo com o líder do Quilombo do Jaó, a caixa d’água coletiva, que abastece as casas das 56 famílias que vivem na área, foi contaminada por pesticida. O crime foi descoberto depois que eles perceberam o cheiro de produto químico na água. Ninguém foi preso.
 
Em entrevista ao G1, o líder da comunidade, Antônio Aparecido de Oliveira Lima, conta que a situação foi percebida por dois moradores. Um deles chegou a beber a água. “Uma dessas pessoas sentiu o cheiro forte quando foi lavar o rosto de manhã. Já o outro também sentiu o cheiro, mas mesmo assim bebeu. Eles então vieram me procurar para dizer que havia algo estranho na água”, explica.
 
Ainda de acordo com Antônio Lima, ele foi até o reservatório acompanhado de outros moradores e perceberam que o local estava com resquícios de veneno. “Quando subi na caixa, vi que tinha um pó espalhado por todos os lados. Ao jogarem aquele produto na água, ele também se espalhou e ficou parado em cima dos canos e ferragens”, ressalta
 
Ele ressalta que a polícia foi acionada, assim como a Vigilância Ambiental da cidade. “Tanto a polícia, quando a Vigilância passaram o dia investigando, mas ninguém que possa ter feito isso foi localizado”, explica.
O morador que ingeriu a água foi levado ao hospital para passar por exames, mas até a manhã desde sábado não havia apresentado reação. Uma amostra da água também foi recolhida e levada para análise. “Foi uma ação criminosa. Alguém veio de fora para fazer isso porque aqui na comunidade não usamos esse tipo de veneno nas nossas lavouras”, denuncia Lima.
 
Segundo a gerente da Vigilância Ambiental, Tatiana Ribas Gemignani, a água coletada na sexta-feira no reservatório central da comunidade está armazenada em um refrigerador, e será envidada na segunda-feira (28) para o Instituto Adolfo Lutz em São Paulo.
 
Ela ainda afirma que a primeira avaliação aponta que o produto usado no envenenamento pode ser agrotóxico. Até domingo (27), as outras caixas d’água, ao todo 32, também serão esvaziadas e limpas por uma empresa terceirizada da cidade.
 
A Sabesp informou que a Comunidade Quilombola do Jaó não é operada pela companhia. Entretanto, enviou na manhã deste sábado (26) um caminhão pipa para atendimento emergencial dos moradores. O abastecimento de água do comunidade quilombola é mantido pela própria comunidade em parceria com a prefeitura da cidade.